Uma nova Pandemia poderia começar no Brasil?

Como já sabemos, a intervenção humana em Matas Nativas pode gerar desequilíbrio ecológico e exportar doenças do coração da floresta. Com a devastação da Amazônia, e de outros fragmentos florestais como a Mata Atlântica, estamos acelerando uma próxima grande pandemia, e que pode surgir no Brasil.

Há bem pouco tempo atrás o Mundo já sofreu com o HIV, o Ebola e a Dengue. Todos estes vírus e outros milhões surgiram ou se disseminaram de uma maneira muito grande a partir de desequilíbrios ecológicos.

Segundo estudos, essa transmissão ocorre com mais frequencia, na Ásia e na África, onde se encontram a maioria das famílias de morcegos. Mas não podemos esquecer que o Brasil abriga a maior Floresta Tropical do Mundo, com uma biodiversidade ainda desconhecida e única, fazendo com quê essa característica transforme a Amazônia no “maior repositório de Coronavírus do Mundo”.


O Rio de Janeiro possui apenas pequenos fragmentos de originais de Mata Atlântica. A maior parte das florestas se encontram em Unidades de Conservação na Região Serrana e no litoral Sul Fluminense. Mas neles há muita diversidade biológica que ainda precisa ser estudado. A única coisa que sabemos é que animais que vivem nestas regiões carregam doenças mortais para os humanos. Se eles perderem esses pequenos fragmentos da Floresta Tropical existentes, podemos estar desencadeando uma nova Pandemia.

A MATA ATLÂNTICA FRAGMENTADA NO RIO DE JANEIRO AINDA GUARDA ESPÉCIES DESCONHECIDAS DE FAUNA E FLORA.

O Estado do Rio de Janeiro está completamente inserido no Bioma Mata Atlântica. São diversos  ecossistemas como restingas, manguezais, campos de altitude e um grande conjunto de formações florestais, o bioma é um dos mais ricos do mundo em biodiversidade. As estimativas apontam que, por volta do século XVI, a cidade possuía cobertura florestal em 97% do território.

Ela sofreu com o desmatamento para dar espaço às culturas da cana-de-açúcar e do café durante o século XIX, e teve explorado o Pau-brasil. Porém, mesmo com a redução da Mata ao longo dos anos devido ao crescimento das cidades, o Ministério do Meio Ambiente aponta que existem cerca de 20 mil espécies vegetais, 849 aves, 370 anfíbios, 200 répteis, 270 mamíferos e 350 tipos de peixes no bioma.

Além do valor em biodiversidade, as Florestas regulam o fluxo dos mananciais hídricos, asseguram a fertilidade do solo, controlam o equilíbrio climático, protegem as encostas das serras contra deslizamentos e criam paisagens de beleza única.

Esse tipo de formação apresenta árvores de vários portes, que alcançam entre 20 e 30 metros de altura, entre elas, Jequitibá, Figueira, Pau-d’alho, Ipê Amarelo, Ipê Rosa, Cedro, Chicha, Pau-ferro e outros. Plantas como samambaias, musgos, bromélias e begônias são algumas das espécies características da Mata Atlântica encontradas no Rio.

Toda essa rica diversidade florestal serve de abrigo para milhares de animais de diferentes espécies. Mas muitos deles são caçados para consumo de sua carne. Outros são traficados para o mundo inteiro.

A nossa experiência nos últimos 4 anos (2017-2020) dentro da Reserva Biológica do Tinguá – ICMBio, que é um importante fragmento florestal, que liga a Baixada Fluminense até a Região Serrana do Rio de Janeiro, nos faz acreditar que a Mata Atlântica possa também ter “vírus, bactérias e fungos” mortais.

Na Rebio do Tinguá existem espécies de fauna e flora que ninguém registrou e catalogou. “Quem garante que os animais que residem dentro da reserva não possam carregar Coronavírus”, comenta Yuri Borba, Fotógrafo e Coordenador do Projeto Ser Ambiental.

Neste momento, mesmo diante da Pandemia do COVID-19, a Rebio do Tinguá sofre uma grande pressão de diferentes interesses. A expansão urbana descontrolada avança pela Baixada Fluminense, sob comando da Milícia. Há também caçadores armados que estão abatendo diversos animais para venda ilegal de carne de animais silvestre. Além da invasão de grupos religiosos e banhistas que é frequente. Estes grupos agridem a flora e fauna da Reserva e deixam lixo nos rios, que abastecem quase toda a Baixada Fluminense e parte da Cidade do Rio de Janeiro, acrescenta Yuri Borba.


PRECISAMOS MUDAR NOSSAS ATITUDES… MAS…

Se o Brasil não reverter os danos ao Meio Ambiente, outras pandemias tão perigosas como a do novo Coronavírus (Covid-19) poderão surgir aqui e se espalhar para o Mundo. Por enquanto isso é só um indicativo dos cientistas e pesquisadores, porém a degradação ambiental em Biomas Brasileiros reproduz padrões semelhantes aos que fizeram surgir à doença na China.

Até o momento não houve nenhuma pandemia originária de Florestas Tropicais Brasileiras, porém à medida que entramos em contato com espécies silvestres, a possibilidade de zoonoses chegarem às pessoas por meio de variações de vírus antes hospedados em animais é cada vez maior.

Não temos ideia do contingente de espécies que não conhecemos e que estão na Amazônia e quais microrganismos essas espécies carregam. Esses microrganismos sempre estiveram presentes nas Florestas ou em animais selvagens, os Coronavírus possuem antepassados em morcegos e as cepas estão infestando o planeta.

Não é possível afirmar com certeza que isso acontecerá, mas a intervenção humana no ambiente pode abrir brechas para doenças infecciosas. “Estamos brincando com fogo. Você pode nunca se queimar ou pode incendiar o mundo”, alertam os cientistas


CAIXA DE PANDORA

Nos últimos anos o Brasil avançou em projetos agropecuários, mineração, construção de hidrelétricas, expandiu a fronteira agrícola, abriu rodovias e facilitou o acesso a regiões até antes não habitadas, atendendo condições para emergência ou reemergência de moléstias.

A Malária e a Febre Amarela, por exemplo, reapareceram em regiões nas quais haviam sido supostamente erradicadas e estão se espalhando para áreas não afetadas anteriormente.

Esse aumento pode ser atribuído à maneira pela qual foi ocupada a região da Floresta Amazônica e foi acentuado pelas Mudanças no Clima.

Uma série de doenças típicas de regiões tropicais que surgiram como epidemias no Brasil estão associadas às mudanças climáticas.

Cientistas alertam que à medida que populações avançam sobre as Florestas, aumenta o risco de microrganismos migrarem para o cotidiano humano. Essa redistribuição de vetores para novos locais de propagação pode abrir caminho para que as enfermidades ganhem novas faces.

“O Ebola era um vírus que surgia nas aldeias e matava localmente. Nesta última epidemia de Ebola as pessoas não estavam mais concentradas em aldeias, a doença foi para a periferia do grande centro numa condição sanitária péssima e se espalhou dentro da cidade grande e foi muito mais difícil de conter”, diz Flávia Trench, médica infectologista e docente da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

Trench explica que as condições de permanência e circulação dos patógenos estão fortemente associadas com a forma de organização dos centros urbanos, com o modo de vida das pessoas, com a crescente densidade populacional e a mobilidade extrema, que criam condições propícias para a proliferação dos vetores.

“Se a sociedade continuar mantendo os mesmos comportamentos que temos hoje, existe a possibilidade de aumento do potencial pandêmico de vírus respiratórios”, prevê a infectologista.


PERDA DA BIODIVERSIDADE

A Devastação das Florestas já causou a extinção de inúmeras espécies e consequentemente um desequilíbrio ecológico. Na análise do presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, Carlos Bocuhy, a Floresta Amazônica é um grande centro de biodiversidade, tem importância na transposição hídrica continental e equilíbrio climático.

“A floresta é fundamental para a regulação climática e manutenção de carbono, nesse sentido a Amazônia tem uma função social e ecológica planetária”.

O alerta que o especialista faz é que se as queimadas e incêndios continuarem, o sistema amazônico pode atingir um ponto de inflexão, ou seja, chegar a um limite irreversível em que ela não pode mais se recuperar.

Destruir a natureza empurra insetos e pragas para perto de populações humanas e alteraram os padrões de transmissão de doenças infecciosas. Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) nos municípios da Amazônia mostrou que o aumento de casos de malária e de leishmaniose está relacionado com o número de hectares desmatados. Os vetores dessas doenças dependem de ambientes mais iluminados e à medida que vamos abrindo mais áreas teremos cada vez mais casos.

Outros biomas brasileiros, como Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica seguem o mesmo caminho de devastação.

Corte ilegal dos manguezais de Guaratiba e Sepetiba, na Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro. A região esta sofrendo com a especulação imobiliária e as invasões das Milícias. (Foto – Yuri Borba – APA das Brisas)

UMA PERSPECTIVA SOMBRIA

Neste início de milênio, o principal receio dos estudiosos é que a humanidade seja vítima de uma pandemia que combine alta capacidade de contaminação com enorme poder para matar um grande número de infectados.

Isso porque muitas doenças ressurgiram no mundo com novas identidades e com novos padrões de comportamento. Exemplo disso é o vírus influenza A, da gripe H1N1, que tem uma grande capacidade de recombinação genética.

O Brasil é referência em produção de proteína animal e tem uma vigilância sanitária considerada eficiente a ponto de conter novas zoonoses. O problema, na avaliação de Ricardo Abramovay, pode estar no uso excessivo de antibióticos em criações de animais e peixes em cativeiro.

“Cerca de 70% dos antibióticos da indústria farmacêutica são oferecidos para animais. Os dejetos desses animais vão para o ambiente e consequentemente nós acabamos ingerindo. Esse é um dos fatores que produzem resistência de bactérias a antibióticos”.


Incêndio criminoso no Morro do Silvério, em Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro. Este pequeno fragmento de Mata Atlântica é o último refúgio de espécies nativas da região.

NA FLORESTA AMAZÔNICA, EXISTEM MILHARES DE VÍRUS COMO ESTE, ESCONDIDOS, DIZ O FÍSICO PAULO ARTAXO.

O que estamos fazendo não faz sentido. É só uma questão de tempo para que outra pandemia como esta entre em contato com a gente. Sem ir longe, na Floresta Amazônica, existem milhares de vírus como este, escondidos. Eles estão em equilíbrio com o ecossistema. Se nós o desequilibramos com o desmatamento, a chance de eles se propagarem aumenta muito. As regiões devastadas precisam ser utilizadas com maior eficiência – alerta.


Morcego bebendo água doce em um bebedouro de beija-flor.

MORCEGOS DO BRASIL POSSUEM CORONAVÍRUS DIFERENTE DO QUE SURGIU NA CHINA

Os Morcegos das Florestas da Mata Atlântica têm Coronavírus, mas ainda não se sabe se há possibilidade de contaminação por humanos. A descoberta foi feita por Luiz Goes, pesquisador e pós-doutorando do departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (Universidade de São Paulo) e da Plataforma Científica Pasteur USP.

Porém, fiquem calmos!!! Os tipos de Coronavírus identificados em morcegos no Brasil são diferentes do que surgiu na China e que se espalhou pelo mundo. O Coronavírus pertence a uma família viral com alto poder de infectar humanos.

Os Morcegos do Brasil apresentam vírus relativamente relacionados a vírus de morcegos que já emergiram no mundo. Eles apresentam Coronavírus de mesmo gênero, denominados Betacoronavírus.

Buscamos saber se temos algum Coronavírus em morcegos do Brasil similares aos Coronavírus emergentes SARS e MERS e se estes têm a capacidade de infectar células de outros mamíferos

O Brasil está em risco de doenças zoonóticas, ou seja, transmitida inicialmente por animais, mas que depois passam a seres humanos. Pois o caso recente da morte de um paciente por uma Febre Hemorrágica desconhecida em São Paulo, ocorreu após o homem adentrar a Mata. Não ficou claro como o homem se contaminou com a febre mortal.

A única certeza que temos é que a culpa é do o avanço do homem sob florestas e o desmatamento desenfreado são “gatilhos” para se iniciarem doenças mortais.


Foto de capa: Reserva Biológica do Tinguá – ICMBio – Yuri Borba

Pesquisa de Campo / Redação / Texto: Yuri Borba

FONTES:

oglobo.globo.com/sociedade/na-floresta-amazonica-existem-milhares-de-virus-como-este-escondidos-diz-fisico-paulo-artaxo-24462930?fbclid=IwAR0KPD0Uge9A_78XbsPp0M0-koDK7xhXh9U9DqR-e4_DWaNXnqQX0xXvPZ0

http://www.brasil247.com/brasil/fisico-alerta-a-floresta-amazonica-tem-milhares-de-virus-como-este-escondidos

noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/01/29/morcegos-no-brasil-tem-coronavirus-diferente-do-que-surgiu-na-china.htm

domtotal.com/noticia/1444235/2020/05/a-amazonia-e-um-potao-de-virus-e-a-proxima-pandemia-pode-surgir-no-brasil/

http://www.ecoamazonia.org.br/2020/05/nova-pandemia-comecar-brasil/

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