A inseparável relação entre Florestas e Água

Estas milhões de árvores, que juntas formam esta imensidão verde dentro da Reserva Biológica do Tinguá – ICMBio, são verdadeiras fábricas de água. Por isso que o Projeto SER Ambiental defende a manutenção e a preservação permanente da Reserva. Pois sem FLORESTA, não tem água.

A relação Floresta – Água já existia muito antes da chegada dos Humanos a este Planeta. Em todo lugar onde cai água do céu com determinada regularidade, há uma Floresta. Elas são para os cientistas um Ecossistema que abrange grande diversidade biológica, tanto em espécies diferentes quanto de genes dentro de uma mesma.

Um lugar dominado por Árvores também é formado por plantas de diferentes espécies, tamanhos, idades e formas de viver. Podemos achar cipós, samambaias, arbustos, árvores jovens, secundárias, gigantes e árvores tão antigas que poderiam contar-nos a história de mil anos antes de Jesus Cristo. Diante da grande biodiversidade que abrangem, as plantas providenciam alimento para diversas espécies de animais.

E onde quer que haja uma floresta, há água. Isso se deve no principio básico da vida, pois a existência de água é requisito indispensável para as plantas. Além disso, as florestas se desenvolvem de acordo com o volume de água do que dispõem, por isso que depois de desenvolvidas, a Floresta Densa protege os mananciais.


As Florestas criam vários fatores que a água se conserve nelas. 

– 1) as árvores baixam a temperatura ao fornecerem sombra, o que impede que a água se evapore e migre para o céu;

– 2) atraem e criam as nuvens fazendo com que elas passem mais devagar pelo lugar, deixando mais umidade nele. 

– 3) melhoram o solo, fazendo com que seja mais esponjoso através da incorporação de matéria orgânica nele, o que faz com que a água se infiltre e não escorra sobre o solo.

– 4) fazem também com que a água chegue mais devagar ao solo, “segurando” as gotas na copa das árvores e deixando que caia pelo tronco, o que dá mais tempo ao solo para absorvê-la e impede que a água eroda o solo com uma queda rápida.

Quando ocorre um grande desmatamento em uma região de Floresta Tropical, o equilíbrio entre a Floresta e a Água se altera de forma severa. Os solos e ladeiras ficam expostos aos agentes da erosão, dos quais a água é o mais forte. Com isso temos grandes desastres naturais, pois o equilíbrio natural entre a Floresta, a Água e o Solo deixa de existir. No entanto, com a presença da Floresta, se gera uma rede natural que permite que a água e o solo mantenham uma relação mais estreita, onde se aproximem e fiquem juntos por muito mais tempo.

Também não se pode esquecer que uma Floresta Nativa é insubstituível. Quando acontece isso, a relação água-solo se perde. Porque as únicas árvores capazes de estabelecer um balanço entre elas são as que se desenvolveram de acordo com as características do bioma local.

O grande e caudaloso Rio Sahy, corre pelas montanhas do Parque Estadual Cunhambebe – INEA até o encontro com o Mar. Muitos não sabem, mas estas águas abastecem muitas casas. No verão o Parque recebe muitos visitantes que não respeitam os avisos de não se banharem depois da captação.

ÁGUA E A MATA ATLÂNTICA

A dimensão do domínio da Mata Atlântica, superior a 1,3 milhão de quilômetros quadrados, é tão ou mais grandiosa quanto a dos serviços ambientais que propicia aos habitantes de seu território.

Mesmo reduzida e fragmentada, a mata exerce influência direta na vida de cerca de 80% da população do país: nas cidades, áreas rurais, comunidades caiçaras ou indígenas, protege o clima, regula o fluxo dos mananciais, a fertilidade do solo, a proteção de encostas, entre tantas outras funções.

As grandes capitais brasileiras, por exemplo, – São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR) e Belo Horizonte (MG) – são completamente abastecidas pelos rios que afloram desses remanescentes. E calcula-se que a Mata Atlântica garanta o abastecimento de mais de 120 milhões de pessoas, abrigando rios do porte do Paraná, Tietê, Doce, Paraíba do Sul, São Francisco, Paranapanema e Ribeira do Iguape.

Mas é na relação complementar entre a floresta e a água que a importância desse bioma pode ser melhor compreendida. Os remanescentes regulam a vazão dos rios, atenuando as enchentes, e após as chuvas permitem que a água escoe gradativamente.

Também filtram sedimentos, retidos na chamada mata ciliar, e melhoram a qualidade da água. O armazenamento da água da chuva, em mananciais de superfície ou reservatórios subterrâneos, ocorre ainda pela infiltração paulatina no solo, garantida pela folhagem, pelo tronco das árvores e suas raízes. E muitos dos processos erosivos são evitados por ação da cobertura florestal.

De outro lado, a poluição e escassez da água são determinantes para a degradação das florestas.


Mas o Brasil enfrenta um desafio de água multidimensional. Crises severas de água – como enchentes e secas – atingiram um quarto dos municípios brasileiros no ano passado, incluindo grandes cidades como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória.

Essas mesmas comunidades também sofreram ameaças à segurança e à qualidade da água, uma vez que inundações, deslizamentos de terra e tratamento insuficiente de efluentes têm moradores em perigo e fontes de água poluídas com sedimentos e esgoto.

À medida que as tendências climáticas se intensificaram, o Brasil também não faz nada para combater os desastres naturais e a cada dia deixamos a nossa linha de defesa diminuir ainda mais, as FLORESTAS.

As florestas são uma forma de infraestrutura natural que pode melhorar os desafios da água. Restaurar as florestas é uma solução baseada na natureza que pode fornecer proteção contra inundações, aumentar os fluxos de água durante os períodos de seca e melhorar a qualidade da água filtrando os poluentes e prevenindo a erosão.

A questão é: o Brasil aumentará o investimento em sua infraestrutura natural ou continuará a ser atingido pela crise da água depois da crise da água?

O Brasil tem uma riqueza inerente de infraestrutura natural. A Floresta Amazônica é um poderoso regulador de padrões de nuvens, com a transpiração de suas árvores alimentando os “rios viadores”, que determinam quando, onde e quanta chuva vai cair. Já a Mata Atlântica fornece as mais importantes fontes de água para as regiões metropolitanas brasileiras, que abrigam mais de 63 milhões de pessoas.

No entanto, o desmatamento desenfreado na Amazônia e na Mata Atlântica está novamente em ascensão. Quando as florestas são cortadas, as árvores não são capazes de regular o fluxo de água abaixo do solo e manter os sedimentos no lugar. No céu acima, os ciclos hidrológicos são interrompidos.

Ao mesmo tempo, os Biomas Cerrado, Caatinga e Pampa estão perdendo mais de 1 milhão de hectares de vegetação nativa por ano, uma área sete vezes maior que a cidade de São Paulo. Essas terras baixas abrigam milhares de espécies endêmicas e são as cabeceiras das mais importantes fontes de água brasileiras, incluindo a Bacia Amazônica e o Aquífero Guarani, o maior do mundo.

Um dos muitos riachos de água pura que nascem e correm pelas serras e montanhas da Reserva Biológica do Tinguá – ICMBio. Mas eles podem estar com os dias contados. A pressão política e empresarial que “ronda” a Reserva esta assustando os Ambientalistas e Pesquisadores.

A CONTAMINAÇÃO DOS RIOS DA MATA ATLÂNTICA

Importantes para a Economia, Meio Ambiente e Saúde Pública, os rios brasileiros são bombardeados diariamente por doses maciças de esgoto, fertilizantes e poluentes. O resultado são cursos d’água mal-tratados e impróprios para praticamente qualquer uso.

Segundo o levantamento, dos 220 rios presentes neste Bioma, 75,4% apresentam qualidade de água regular e 16,9%, ruim. Três rios foram considerados péssimos, em comparação com zero no levantamento feito em 2018. Rios em bom estado totalizaram 15. Nenhum tinha condições de ser considerado “ótimo”. Os rios avaliados passam por 103 municípios em 17 estados.

O fato de três em cada quatro dos rios examinados estarem em situação regular, número próximo ao do levantamento realizado em 2018, é motivo de preocupação, de acordo com Malu Ribeiro, especialista em Água da Fundação SOSMA. “É a luz amarela, como uma criança que passa de ano quase empurrada”, comparou. Ela explica que esses rios parecem ter perdido a capacidade de diluição dos poluentes. “Eventos extremos de clima, como secas prolongadas ou temporais de 15 minutos, não estão proporcionando essa dispersão”, afirmou.

A especialista observou que há ainda uma quantidade significativa de rios que são “muito pior do que péssimos”. Estes não entraram no levantamento. Seu nível de contaminação é tão alto, devido à presença de metais pesados, que a água teria de ser analisada em laboratório.

Um exemplo de rio nessas condições é o rio Pinheiros, em São Paulo, “que tem toda a tabela periódica de rejeitos”. É a mesma situação do rio Iguaçu, no Paraná, que foi inviabilizado tal a quantidade de agrotóxicos que recebeu nas áreas rurais por onde passa.

O majestoso Rio Iguaçu, que corta grande parte da Baixada Fluminense e deságua na Baía de Guanabara, já foi navegável e muito importante na época do Brasil Colonia. Hoje agoniza pelo crescimento descontrolado, pela falta de saneamento básico e o abandono das Autoridades.

OS IMPACTOS DOS RIOS POLUÍDOS

Segundo a especialista da Fundação SOS Mata Atlântica, cursos d’água contaminados implicam três consequências principais.

CONFLITOS SOBRE O USO

“Um rio em uma condição ruim ou péssima fica indisponível para usos múltiplos. Não se pode usar a água para nada, então isso afeta primeiro a disponibilidade hídrica, gerando conflitos entre usuários, como a agricultura, o abastecimento público e a geração de energia. Com menos água disponível, todos vão disputar as águas que podem ser utilizadas.”

ATIVIDADES ECONÔMICAS

“O rio poluído afeta a economia. Atividades têm de ser suspensas, dentre elas a produção de peixes, a irrigação para produção de alimento e o próprio abastecimento humano. Só a geração de energia elétrica não é afetada pela qualidade da água do rio. No rio Tietê, mesmo nas partes mais poluídas da geração de energia elétrica não foi prejudicada.”

MEIO AMBIENTE E SAÚDE PÚBLICA

Depois de toda essa sequência de impactos humanos, há um desequilíbrio no ecossistema e isso ajuda a proliferar tanto doenças de contato com a água contaminada, como cólera, hepatite e leptospirose, como a proliferação de vetores, como por exemplo, como vetores como pernilongos que espalham dengue, zika, chikungunya e febre amarela. E porque se perdeu a fauna aquática dos peixes, dos anfíbios, aquela fauna boa que comem as larvas desses mosquitos. Foi o que aconteceu com a febre amarela depois que morreram os peixes do rio Doce. A rota do mosquito do pernilongo da febre amarela foi à rota da Bacia do Rio Doce, foi do Espírito Santo para o Rio de Janeiro e depois, São Paulo.

Ainda existem muitos peixes nos riachos e rios da Mata Atlântica. Mas, você sabia que sem os peixes e outros animais, como rãs e pererecas, as larvas dos mosquitos se alastram rapidamente. Foi assim que a Febre Amarela apareceu em 2017 e levou pânico nas grandes cidades.

FISCALIZAÇÃO E IMPUNIDADE

A ANA (Agência Nacional de Águas) é o órgão federal responsável pelos rios que passam por mais de um Estado Brasileiro. Entre as competências da ANA está à emissão e fiscalização de outorgas de direito de uso de recursos hídricos. Os Estados Brasileiros e o Distrito Federal contam com órgãos para a gestão das águas dentro de suas respectivas fronteiras. Todos esses órgãos devem realizar ações destinadas a preservar a qualidade das águas.

O presidente Jair Bolsonaro, retirou a ANA do Ministério do Meio Ambiente para coloca-lá no Ministério do Desenvolvimento Regional, pasta surgida da fusão dos Ministérios das Cidades e da Integração Nacional. O novo ministério cuidará de políticas nacionais de recursos hídricos e de segurança hídrica, assim como da política nacional de saneamento.

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) fiscaliza e autua pessoas ou empresas que causem poluição de cursos d’água. ONGs e especialistas da área vêm expressando preocupação com relação à maneira como o governo Bolsonaro trata o órgão, chegando a relacioná-lo a uma suposta “indústria da multa”.


Foto de Capa: Yuri Borba

Texto / Pesquisa / Estudo / Elaboração: Yuri Borba

FONTES:

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/03/22/A-contamina%C3%A7%C3%A3o-dos-rios-da-Mata-Atl%C3%A2ntica-segundo-esta-pesquisa

https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/dia-mundial-da-agua-20-dos-rios-da-mata-atlantica-estao-improprios-para-consumo-diz-relatorio.ghtml

https://www.sosma.org.br/artigos/grandes-rios-brasileiros-estao-por-um-triz/

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/21383265/artigo—-a-inseparavel-relacao-entre-florestas-e-agua-na-amazonia

https://wrm.org.uy

https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/biomas/bioma_mata_atl/agua_mata_atlantica/

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